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Ético e Sustentável – o compromisso com o bem comum

Publicado em 7/7/2008


Regina Migliori
(Publicado no Portal Ambiente Brasil)
Diferentes esferas de responsabilidades individuais e coletivas, intensa produção de conhecimento e tecnologia, crises sociais, econômicas e ambientais, regulamentação governamental, intensificação das relações internacionais, dificuldades com o mercado e o consumo, tudo isso está colocando em destaque novas questões éticas.
 
As pessoas, organizações, sociedades e governos estão em busca de princípios que orientem seu comportamento no mundo. Isso não se encontra em nenhum fornecedor externo, porque esta é uma dimensão disponível somente na consciência das pessoas.
 
Ética não é sinônimo de lei, nem de moral. Lei é regra que vale pra todo mundo. Moral é um conjunto de costumes vigentes na época.
 
Há quem acredite que seguindo regras, cumprindo leis, será ético. Mas nem sempre o legal é ético. Diante de leis injustas ou de regras descabidas, ser ético é justamente contrariar a lei, propor novas regras.
 
Há também os que se acomodam na condição de que “faço o que todo mundo faz”. Nem é preciso dizer que um erro não justifica outro. Há ainda os que afirmam “só faço o que é certo”. Certo na opinião de quem? Muitas vezes, ser ético é contrariar o status quo, os costumes e a moral vigente. É transformar inclusive o que se considera bom, seja sob a ótica individual ou coletiva.
 
Ética não corresponde a um conjunto de regras, nem à adequação das ações a um contexto vigente, e sim ao diálogo da pessoa com a sua própria consciência, de onde ela retira sua contribuição para o bem comum.
 
Só dialogar com a consciência não resolve. Não basta elencar um conjunto de boas intenções. Também não é suficiente executá-las da melhor forma e achar que a ação se concluiu, sem estar atento ao tipo de impacto provocado. Quantas vezes oferecemos o que há de melhor em nós, e provocamos o que há de pior nos outros?
 
Existe um potencial ético nas pessoas. É possível desenvolvê-lo.  Aprende-se a ser ético. Um passo importante é saber diferenciar entre o bom e o bem. Bom é aquilo de que eu gosto. Posso gostar de muita coisa que os outros não gostam. Portanto, nem sempre o que eu acho bom é o melhor para todos. O bom é particular. O bem é universal. Muitas vezes, fazer o bem é fazer o que eu não gosto, ou abrir mão do que eu gosto.
 
Por isso, ser ético é transformador. Diante de uma ação ética nada fica do mesmo jeito. Tudo se reacomoda.
 
Ser ético é ter a capacidade de dialogar com a própria consciência, sabendo praticar este conjunto de intenções com impactos benéficos. É ser competente em olhar para dentro e para fora, para o agora e para o futuro ao mesmo tempo. Não é difícil, mas é desafiador.
 
Tão desafiador, que tornou-se o maior desafio em ser sustentável. Sustentabilidade nada mais é do que a noção de bem comum adaptada à linguagem do século XXI: o compromisso com resultados positivos e benéficos que não comprometam a vida na atualidade e no futuro.
 
É o diálogo com a própria consciência que torna possível dar ênfase às iniciativas com foco no bem comum. Da mesma forma, é o foco no bem comum que impulsiona este diálogo interno para além de uma perspectiva individual, centrada nos próprios pontos de vista, e faz a ação ética ser percebida como universal: qualquer pessoa irá reconhecê-la como benéfica.
 
Não há como ser sustentável sem ser ético, sem esta inspiração benéfica para nossas idéias, projetos e ações.
 
Seremos uma humanidade sustentável quando houver uma massa crítica suficientemente competente em realizar este contato com a própria consciência e traduzi-lo em ações com foco no bem comum. Pessoas que tenham interiorizado de forma ética as novas condições globais de vida em seu pensamento, em seus valores e em seu comportamento.
 


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